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E Uma Semana Depois…

In Jornalismo, Política, Sociedade on 21 de junho de 2013 at 19:16

E passou-se uma semana desde que mostramos estar cansados de sempre dar a outra face. Que nos cansamos de dar sem receber. Estamos, pouco a pouco, pegando a legitimidade que transferimos aos nossos governos e colocando-a de volta em nosso bolso. Os seculares senhores e senhoras que atendem nossas necessidades, que garantem nossos direitos naturais, os objetivos e os subjetivos, estão desconcertados. De sorrisos amarelos reduzem passagens de ônibus. Se trancam em herméticos gabinetes de crise e discutem o sexo dos anjos tentando decifrar o código das ruas. Código, porque, provavelmente, eles não falam mais o mesmo idioma que nós. Há muito deixaram de ser pagadores de tributos para serem os coletores últimos das riquezas da nação. Deixaram a luta para trás, e fundaram um clubinho para receber Obamas, Putins, Merckels, Sarkozis, à doses de Don Perignon. Passaram a ocupar os lugares dos nobres do Império e da República Velha, e do alto do seu Frances são incapazes de ouvir e interpretar as vozes da rua, enfim pedido a algum aspone que diga “o que esse povo está querendo?”; que por sua vez diz “ônibus mais barato”.

Mas enquanto o povo começa a bradar uns “Fora Dilma” daqui, “Fora Lula” dali, “Fora Aecio” de cá, “Fora Anastasia” de lá; quero correr pela contramão. Gente, não é culpa deles. Todos os nossos políticos são vitimas, conscientes ou não, de um sistema que os conduz à corrupção passiva ou ativa que data da gênese primeira do “jeitinho brasileiro”. Enfim, somos vitimas de nós mesmos. De nossa furadinha de fila, de nosso ‘assina a chamada pra mim’, de nossas estacionadas rápidas em local proibido, de nossas ligadinhas pra um amigo adiantar nosso lado, do nosso contrata meu filho daí que eu te ajudo daqui. Nossa política nada de braçadas em esquemas institucionalizados de jeitinho brasileiro também. Ate aqueles que não são tão “jeitosos”, acabam entrando na brincadeira porque as regras do jogo dizem assim.

Vi pelas redes sociais afora, essa mesma crítica. Mesmo assim, como ela mexe com o brio de muita gente – pra não dizer todo mundo – ficou meio desprestigiada na profusão de brados que retumbaram. Sumiu no limbo.

E tem mais. Ate a pessoa mais humilde, que ascende a um cargo eletivo no Brasil, passa a viver depois em um estilo de vida de elite. Isso decorre, como eu já adiantei mais acima, do fato de que no Brasil Império e na Republica Velha quem podia ter cargo eletivo era membro da nobreza. Esse pessoal já vinha de um estilo de vida superior, estilo este que vem sido replicado desde então até chegar aos nossos atuais servidores públicos. A coisa é secularizada e institucionalizada. A droga que alimenta o vicio do nosso sistema é esta, não é partido, não é um político daqui ou dali, não é empresa privada, não é capital externo nem o financeiro. São as regras do nosso jogo que autorizam um sem número de barbaridades que nem estamos vendo.

Mas passou-se uma semana em que o povo assustou a instituição. Que a agência sacudiu a estrutura. E, talvez, a confusão de sentidos que é comum tanto aos que manifestam quanto aos que são postos de alvo, pode ter explicação em tudo o que eu disse aqui. Ou não, posso estar muito enganado, afinal de contas sou apenas mais um interpretando tudo isso.

Mas de uma coisa eu tenho absoluta certeza. Já não estamos mais satisfeitos com o rumo das coisas e o que quer que queiramos ou que nos derem para nosso futuro, sabemos de uma vez que tem que ser diferente disso aqui. Talvez, por enquanto, isso seja o que mais importa. Ou melhor, talvez o que mais importa de verdade foi um dos melhores resultados obtidos através de toda essa mobilização:

Deixamos a classe política inteira com medo.

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