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Pagamos Mais Caro Para Morrer Mais Fácil

In Economia, Jornalismo, Sociedade on 14 de maio de 2013 at 10:51

Uma reportagem feita pelo New York Times publicada na internet no ultimo dia 11 de Maio me deixou negativamente estupefato. Em um esforço notável que mobilizou especialistas, técnicos, testemunhos civis e informações estatísticas das mais alarmantes, o NYT descobriu que o principal culpado pelas nossas inúmeras mortes no transito são os carros.

A pergunta que eles buscavam responder era exatamente esta: por que nossas estatísticas de morte no transito são tão altas? A frota de veículos no Brasil tem aumentando muito com a inserção de novas classes em nichos de consumo nos quais, antes, elas não frequentavam. Mas comparando uma frota de automóveis que cobre toda a população norte-americana, à nossa em que 1 a cada 7 brasileiro possui carro, fica curioso o fato de terem morrido aproximadamente 9mil pessoas, em acidentes de carro em 2010 aqui e 12mil lá. A conta comparativa da uma taxa 4 vezes maior aqui no Brasil.

Sao as condições de estradas? Será que trata-se da imprudência? Isso é verdade nos dois lugares, afinal somos humanos nos dois países e ha sim estradas precárias nos EUA. Mas o fato revelador dessa reportagem é que nossos carros são muito menos seguros.

Um laboratório de análises de seguranca chamado New Car Assessement Program (NCAP) avalia a segurança dos automóveis graduando-os de 1 a 5 estrelas. Nenhum modelo de entrada, os mais vendidos no Brasil, foi pontuado com mais de 1 estrela. Nos EUA e na Europa, por força da legislação e consciência dos consumidores, os automóveis mais vendidos são graduados em 4 e 5 estrelas pela NCAP local. Esse laboratório é um daqueles que realiza simulações de batidas com aqueles bonequinhos folclóricos. O dado mais assustador é o que nos conta que automóveis que são vendidos por FIAT, GM, FORD e VW tanto aqui quanto na Europa, são graduados no Brasil com 1 estrela e na Europa com no mínimo 3, caso do Ford KA.

Na reportagem um engenheiro da VW, que preferiu não se identificar, nos conta que o fator que melhora a seguranca da lataria do veiculo são seus pontos de solda. Ele explica que no caso de um impacto, os pontos de solda do veiculo permanecem rígidos e mantém a estrutura externa no lugar, e nas áreas onde não ha pontos de solda a tendência é a lataria se dobrar sobre os passageiros e o condutor. É exatamente isto que causa lesões, ferimentos, fraturas e a morte dos ocupantes. Mais ainda, ele nos conta que o processo de solda da estrutura dos automóveis consome bastante energia e as montadoras Brasileiras diminuem os pontos de solda nos carros mais baratos para economizar energia. Isso resulta no aumento da margem de lucro com a redução desse custo, margem esta que soma 10% no Brasil contra 3% nos EUA e o máximo de 5% em países Europeus.

Nossa legislação também é bastante deficitária no que tange a regulamentação de padrões de seguranca para veículos fabricados no Brasil. Não existe uma norma tecnica compreensiva como ha nos EUA e em alguns países da Europa como Alemanha. No máximo ha a obrigação de, a partir de 2015, os air-bags e freios ABS serem itens de fabrica para todos os modelos do Brasil.

Estamos a 20 anos de defasagem em relação aos avanços mais modernos em termos de segurança automotiva no mundo e não ha nada que forcem as montadoras a acompanhar este ritmo e ofercê-lo ao consumidor. Pagamos mais caro que o resto do mundo por carros menos seguros e piores em termos de conforto. Pagamos mais para morrer com mais facilidade.

Tenho medo de dirigir meu Mille sabendo agora, dado o testemunho do engenheiro da VW, que se eu bater de frente e, no mínimo, 50km/h, a coluna de direção ira se quebrar e o volante batera com violência no meu peito causando lesões fatais em meus órgãos do tórax. Tudo isso em função de construção insegura do meu carro de 30mil reais.

Para reportagem completa do New York Times acesse: Cars Made in Brazil are Deadly

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