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Lollapalooza e Bandas Estrangeiras no Brasil

In Cultura, Economia, Jornalismo, Sociedade on 10 de abril de 2012 at 13:05

Ontem mais cedo postei no twitter um comentário à respeito do Lollapalooza, enquanto festival de bandas. Acredito que vale a pena elaborar. Disse o seguinte: festivais como o Lollapalooza, apesar de serem ótimos, correm o risco de tornar um Brasil uma rota de fuga para artistas que nao vendem mais ingressos em seus países, além disso, incentivam o abandono de artistas nacionais.
O argumento apresenta dois pontos, a ser discutidos separadamente, mas com consequências mutuas.
A rota de fuga de artistas estrangeiros é um fenômeno possível de ser observado já em curso em algumas localidades do Brasil e do mundo. Um dos mais significativos exemplos dele é o nosso “Hall”, cujos eventos trazem para Belo Horizonte um monte de artistas que nao conseguem mais publico no exterior. Sem desmerecer o imenso calibre desse artista, Bob Dylan é um exemplo primoroso. Ele nao consegue mais esgotar shows nos EUA, tampouco turnês, nem gravar discos ou lançar novas canções. Apesar de ter uma banda impecável, ele nao tem mais condições de executar uma apresentação boa. Ultimamente ele tem falado suas canções, por nao conseguir mais cantar. Nao digo isso de fora, estive em um show dele no Rock In Rio Madri em 2008, e vi exatamente isso acontecer. Em ‘Like a Rolling Stone’, por exemplo, mal se ouvia a voz de Bob por detrás dos backing vocals. Assim, o publico que já viu dezenas de turnês de todos estes artistas que nunca vimos por aqui, nao vê mais as mesmas performances de outrora ou estão de saco cheio das mesmas caras. Resultado: os artistas vem para cá. O line up do Lollapalooza e o tratamento por eles dados aos artistas brasileiros, como narrou Lobão em seu contundente manifesto no ano passado, pode chegar a refletir esta tendência no futuro – além de incentiva-la. Tanto público quanto produção, aqui no Brasil, prefere, claramente, artistas de fora. E não apenas os de grande nome, os novatos – que apareceram às profusões no Lolla – também.
Parece, dessa maneira, mais confortável para os promotores de eventos desse tipo do nosso pais, trazer as Demi Lovatos, os Bob dylans, e os Joe Cockers da vida do que, com provavelmente os menos recursos, realizar um festival das inúmeras bandas e artistas novos e talentosos que há no Brasil.
Em festivais do mundo inteiro, o espaço destinado a bandas locais é muito maior do que o de bandas estrangeiras além dos headliners serem todos – ou em sua grande maioria – locais. Digo isso tambem de causa conhecida, quando no inicio deste ano prospectei dezenas de festivais para enviar material da Monster Grooves.
Não se trata de uma tendência entre os festivais de fora, essa de montar seus lineups com artistas novos sob o pretexto de que eles estão bombando o Facebook, no Myspace ou em outras redes sociais. A filosofia é diferente, como li em diversos relesses de festivais europeus e norte-americanos que prospectei. A ideia é abrir um número significativo de oportunidades para artistas novos, desconhecidos e, preferencialmente, locais, apresentarem seus trabalhos em festivais com Kings of Leon, Arctic Monkeys, Foo Fighters, MGMT, Kate Perry, Black Eyed Peas, e outros artistas do mesmo cacife como headliners. Festivais estes patrocinados por nomes como Coca Cola, MTV, VH1, governos locais, universidades de artes, gravadoras e selos, e vários outros grandes apoiadores. E é lá que essas bandas surgem e vem para cá ja conhecidas tocar em nossos festivais no lugar de gente como Graveola, Fusili, Hell’s Kitchen, Dead Lovers, e porque nao, Monster Grooves.
Enfim, a primazia dos artistas de fora no Brasil se justifica por décadas de programações culturais ausentes deles. É ótimo para nosso pais, nossa economia e o desenvolvimento de produtoras grandes e eficientes como a Nó de Rosa. Mas a primazia torna-se um império, quebrado parcialmente apenas por uma lei que obriga os produtores a dar espaço para artistas nacionais. O que eles geralmente fazem por não ter escolha e ainda acochambrando nossos músicos em horários vazios – 15h – e com tempos pequenos de show até expondo-os às estrelices de produções de fora – vide o caso do Ultraje à Rigor no SWU. E ainda, parafraseando Lobão, atras de um artista “polonês” com “6 meses” de estrada e que esta ali porque é hype.

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  1. Orgulho da minha vida….

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