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Diversão Discursiva

In Cultura, Diversão, Internacional, Política on 26 de março de 2010 at 21:58

A retórica na politica internacional  tende a ser ainda mais ambígua e demagoga do que nas políticas domésticas. É constante não dizer o que todos queriam que fosse dito, mas fazendo crer que o desejado foi de fato dito. Ou dizer alguma coisa de uma forma que fique mais fácil de ouvir. Ficou difícil? Seguem alguns exemplos, comuns na política internacional, e que ilustram esse fenômeno:

  • ‘rodada de negociações indiretas’ – quer dizer que alguém negociará com outro alguém sem que haja debates e confrontações diretas entre os negociantes, sujeitos ainda a um mediador que transmite propostas indiretas para uma solução indireta do problema tratado ainda indiretamente. Resolveu?
     
  • ‘[País, político, ONG ou OI] dá boas vindas à ajuda fornecida pela comunidade internacional em relação [assunto]’ – essa é ótima, quer dizer que os que dão as boas vindas não estão dispostos a fornecer nada, a não ser administrar os recursos – materiais, sociais, políticos…- doados ou transferidos pelos ‘ajudantes’. Isso se chama difundir a responsabilidade, ainda se eximindo dela. Organizações Internacionais são experts em fazer isso.
     
  • ‘Decides to remain seized of the matter’ em português: ‘decide se manter ciente da questão’. – cláusula que aparece em todas as resoluções da ONU, todas mesmo. Talvez a primeira a ser escrita, a que os representantes mais concordam e a que mais é respeitada (quando não a única, em alguns casos) da resolução inteira. Ela quer dizer que, à despeito da atual decisão ou solução, as partes negociantes continuarão preocupadas e envolvidas com a questão. Ao mesmo tempo em que denota o não esgotamento do assunto e um provável comprometimento em tratá-lo continuamente, prescreve futuros debates a respeito e muitas vezes perpetua o problema mantendo-o sempre examinado e examinável pela ONU. Se fosse para decidir e resolver de uma vez, escreveria: “Decides to make this decision final’, em português ‘decide fazer dessa decisão, a final’.
     
  • Para fechar, como na política internacional, não se vê com bons olhos coerções físicas – ou militares -, o modus operandi mais comum é exatamente igual à famosa ‘cara feia’ que fazemos para alguém que faz algo que julgamos errado, feio ou ruim. Quase até se balança a cabeça e faz-se tsc-tsc-tsc, no célebre discurso de se condenar alguém ou alguma atitude no nível internacional. “Que feio hein Irã? Esse seu programa nuclear ai…’, ‘Poxa, Coréia do Norte, pisou na bola com esses testes de mísseis…’. Mas há de se dar o braço a torcer que isso funciona em alguns casos. Por exemplo, quando a ONU condena via resolução (às vezes). Ou quando os EUA fazem cara feia. Mas como em casa e na vida, se a outra parte não está nem aí para você – ou efetivamente é sua inimiga –, ela vai dar as costas. ‘Cara feia para mim é fome’.

Por enquanto é isso aí, talvez eu traga mais  no futuro. Até a próxima!

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