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Curtas da Semana

In Internacional, Política, Sociedade on 7 de fevereiro de 2010 at 12:19

À Caça de Confusão

     Muito bem, está decidido! O Brasil vai comprar o caça Francês, caro, antigo, provavelmente convencidos pelos belos olhos de Carla Bruni. Mandando dinheiro do contribuinte para a França, gerando tecnologia, empregos e lucro por lá!  Não escolheram o Norte-Americano F16. Tampouco a proposta da Saab: um caça mais barato, em um investimento conjunto, onde Suécia e Brasil desenvolveriam juntos um avião moderno, novo, com todas as necessidades e especificações que os dois países definiriam em conjunto. Instalando fábricas lá e aqui, desenvolvendo tecnologia militar com engenheiros brasileiros e suecos, gerando empregos lá e aqui, transferindo tecnologia e conhecimento entre os dois países. O que nem todo mundo sabe é que os Rafale usa uma boa quantidade de tecnolgia norte-americana em sua fabricação. Ah, mas os belos olhos da Carla Bruni…

Os Distritos 9 do Mundo

     Assisti District 9 nesse fim de semana. Fui levado a pensar em uma coisa que não é, necessariamente, uma mensagem óbvia do filme. Mesmo assim, ele consegue chamar atenção à total falta de noção, competência e vontade que as pessoas, governos e outras entidades interessadas no assunto, têm para lidar com populações deslocadas. Sejam estas populações minorias, refugiados (por qualquer razão), imigrantes, ou outro tipo. Nunca se nota um esforço para além do mínimo a fim de estabelecer condições decentes de vida para estas populações. No final das contas, elas se aglomeram em algum território qualquer e transformam tudo em slums, favelas, subúrbios, orbitados por miséria, crime e insalubridade. Exatamente como o District 9 do filme. Estas populações não têm capacidade de produzir para além de sua subsistência, não conseguem formar conhecimento especializado, não têm capacidade para agregar valor a seu povo sozinhos. Acabam à mercê da boa vontade daqueles que administram os territórios em que elas se estabelecem. Boa vontade esta que raramente vem acompanhada de bons hospitais, escolas, saneamento básico, segurança, investimentos. Parece que basta construir uns barraquinhos, às vezes nem isso, que já é o suficiente até que eles vão embora. O que os governos que enfrentam tais populações mais querem é que elas se vão.  Assim, o mundo tem seus Distritos 9 em Darfur, na Palestina, em Kosovo, no Haiti, nas Chinatowns, nas Favelas do Rio, no Iraque, no Afeganistão, no Nepal, nos Guetos, nas Zonas Rurais, nos Países Pobres…

Só Haiti

     Aproveitando a deixa do comentário acima, só dá Haiti no noticiário internacional já há quase um mês. São louváveis os esforços da comunidade internacional para fornecer ajuda ao país duramente atingido pela própria miséria e por um terremoto devastador. Contudo, parece que apenas desastres naturais atraem a atenção da benevolência dos demais países, quando não há, deixam países mazelados no limbo ou nas mãos de ONGs e da lenta agenda da ONU. Recentemente a Rede Globo veiculou uma reportagem em que seu correspondente no Haiti visitava o norte do país, no mar do caribe. Luxo, paz, riqueza e turismo no mesmo país que surge destruído nos noticiários do mundo afora. Não digo que devemos esquecer o Haiti, só que não devemos esquecer os demais países. Afinal de contas, qual a diferença entre o Haiti e os Sultanatos Árabes com seus irmãos Palestinos, ou o Leblon e o Morro da Carioca, os senhorios de Serra Leoa e seus garimpeiros de diamantes, os Sérvios e a minoria kosovar? Isso pra citar poucos exemplos.

  1. A respeito da caça aos caças, parece que não nos cansamos de ser enganados e nossos mandatários de serem capachos para os poderosos do planeta.Nós já temos aqui um exemplo disso, com promessas de transferência de tecnologia, fabricação local, integração com a indústria nacional e…. Vide a fábrica da Helibras em MG que é um baita CKD e não produz aqui nem um parafuso.
    Será que vamos acreditar nisso de novo?

  2. Lá se foi mais uma conferência global em Kopenhagem discutindo soluções para o clima no planeta,passamos todas as esperanças para os negociadores de que alguma decisão poderia começar a ser tomada e nada.
    Aí vem o desastre do Haiti que é pelos padrões da humanidade um pingo de tinta em nossa toalha global imaculada e a anos se arrastam tentativas sem que nem essa pequena mancha seja limpa.
    Será que é possível acreditar que estes senhores do mundo imediatistas e de superego inflado, sejam arautos de uma nova era?
    Nós esperamos notícias de um mundo melhor, mas continuamos a jogar o lixo no quintal do vizinho!

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